Com a intenção de unir forças em busca de alternativas para enfrentar o coronavírus, membros da Prefeitura e de várias entidades representativas do empresariado de Araraquara criaram um comitê de avaliação da crise que, ao que tudo indica, deve se agravar nas próximas semanas.  Juntos eles prometem encontrar meios de superar, primeiro a questão da saúde pública e, depois, os problemas econômicos que já preocupam empresários e trabalhadores.

“A ideia é construir as ações em conjunto. Nenhuma atitude tomada de cima para baixo vai funcionar. Se tiver que reduzir horário do comércio, da indústria, será uma decisão com base no que nossa equipe técnica tem construído e com as entidades empresariais. Nós sabemos que a situação é grave e não temos dimensão do que vai acontecer, mas temos que enfrentar com tranquilidade”, disse o prefeito Edinho Silva (PT)

Para Edinho, é preciso garantir que as instituições, públicas e privadas permaneçam atuantes. “Nós temos que garantir a prestação de serviços. O ambiente de pânico pode provocar o caos e por isso estamos construindo as posições com cautela”, reforçou o prefeito.

Participaram do encontro representantes do Shopping Jaraguá, do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara e Região (Sincomercio), do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (Sinhores) e da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (ACIA).

Todos apresentaram seus argumentos que, no geral, convergiram para que sejam traçadas estratégias para conter a disseminação do vírus. “Vai chegar o momento de falar dos impactos econômicos, mas nesse momento a prioridade ainda é salvar vidas, disse Douglas Borges representante do Shopping Jaraguá.

Para o diretor do Ciesp Araraquara, Ademir Ramos, é preciso que o Governo Federal tenha ações simultâneas para combater a doença, mas também para salvar a economia. “Nós estamos preocupados com abril, maio e junho. Com faturamento baixo nós não conseguiremos repor a matéria prima. Estamos com grandes dificuldades para honrar com as folhas de pagamentos. Pedimos ao governo federal para adiar o pagamento de impostos como PIS e Cofins, deixar para o final do ano entre outras medidas que precisam ser tomadas.  Se demorarem muito para tomar uma decisão, teremos mais empresas falidas do que vítimas do coronavírus”, projetou ele.

Já o presidente do Sincomercio, Antônio Deliza  Neto, fez questão de tranquilizar as pessoas em relação ao abastecimento de produtos nos supermercados. “Não temos crise de desabastecimento. Não há necessidade de ir aos supermercados fazer estoque. O que nós temos é um problema de saúde, grave, que trará transtornos, mas é preciso ter serenidade”, afirmou.

 

Mesmo tom do discurso do presidente do Sinhores, Fernando Pacchiarotti: “Não existe possibilidade de desabastecimento. O Brasil é o celeiro do mundo. O que pode acontecer é que um item ou outro faltar momentaneamente porque tem gente comprando em grande quantidade, mas os caminhões chegam todos os dias e estamos repondo todos os itens”, reforçou..

O presidente da ACIA José Janone Júnior rebateu a algumas críticas em relação ao empresariado, acusado, segundo ele, de em alguns momentos, explorar a situação ou não ter sensibilidade para o momento vivido. “Nós não somo vilões, a guerra é contra o coronavírus, estamos todos do mesmo lado. Nós da classe empresarial estamos dispostos a ajudar nossa cidade a enfrentar essa crise”, disse.

O comitê deve se reunir com frequência a partir de agora para que decisões sejam avaliadas sempre que necessário.

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