O prefeito de Trabiju, Maurílio Tavoni Júnior, o Juca (MDB), renunciou nesta sexta-feira (03) ao seu mandato de prefeito. Juca enfrentava um processo de cassação de seu mandato, pela Câmara de Vereadores. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tinha até o começo de maio para concluir o relatório e levar o caso para votação em plenário. O vice dele, Marcos Peres (MDB), deve assumir o mandato e ser empossado pelo legislativo em breve.

Juca é acusado de pagar por uma queima de fogos em uma residência com o dinheiro público. O show pirotécnico foi na virada de ano entre 2016 e 2017. Pouco antes de sua posse. O evento era particular, segundo o apurado por um morador, que foi quem protocolou a denúncia na Câmara, que gerou a abertura do processo de cassação.

Entre as provas apontadas está o fato um servidor comissionado (que ocupa cargo de confiança) ter assinado o recibo da queima de fogos no dia 2 de janeiro de 2017, mas ele só teria tomado posse oficialmente em 4 de janeiro.

“A CPI estava na oitiva das testemunhas arroladas pelo prefeito, mas esses dias todos nós não conseguimos trabalhar porque o presidente, em uma decisão arbitrária, fechou a Câmara e nós não estávamos conseguindo trabalhar. Ele alegou seguir as determinações da Saúde, mas a cidade não tem nenhum caso de coronavírus e as Câmaras da região estão trabalhando, mesmo sem público”, disse o presidente da Comissão, Giovani Ferro (DEM).

O parlamentar afirma que, mesmo diante da renúncia, as investigações devem continuar. “Porque se não fica cômodo para o político, quando ele perceber que não vai se livrar de um processo, renuncia e preserva seus direitos políticos. Nós estamos estudando juridicamente como fazer, há alguns precedentes legais e queremos seguir com o processo”, afirmou Ferro.

No documento que anuncia sua despedida da função, Juca Tavoni agradece ao povo de Trabiju e se defende. Segundo ele, seis vereadores, dos nove que compõem a Câmara da cidade passaram a persegui-lo. ” Em razão da oposição desarrazoada e sem propostas entendo que o melhor para o município de Trabiju e para o povo de Trabiju é meu afastamento do governo”, escreveu.

Em relação a denúncia, Juca sempre negou o crime e em nota enviada recentemente a essa reportagem ele disse, inclusive, que ressarciu os cofres do município do valor gasto com a queima de fogos, acrescido de juros. O valor pago, segundo a Prefeitura, foi de R$ 8,6 mil. O Ministério Público também investiga o caso.

Foto do prefeito: Antônio Laudicir Teixeira

Confira o documento de renúncia na íntegra:

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