Por Wilian Oliveira

Essa talvez seja a Páscoa mais diferente que nossa geração verá. Com boa parte da população em isolamento, aquelas típicas reuniões familiares provavelmente não vão acontecer em muitos lares. As visitas dos parentes de fora também ficarão para depois. Os abraços, beijos e desejos de um dia feliz serão manifestados de forma diferente, a distância, mesmo para quem está a um metro e meio de quem ama.

Para quem tem fé e acredita que nesse dia comemoramos a vitória de Jesus sobre a morte, o momento é de ainda mais provação já que a presença nas igrejas não é possível, os ritos e tradições milenares que celebram esse momento tiveram uma abrupta ruptura. Tudo para combater um inimigo invisível: o coronavírus.

Para o padre Nelson Ramos, pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida, na Vila Xavier, o momento não é dos melhores, mas é importante pensar que é possível buscar evolução como humanidade a partir dele. “É claro que vai ser uma Páscoa diferente, sou padre há 25 anos e nunca celebrei uma Páscoa sem a presença das pessoas. É estranho. Isso não tem nos impedido de orar, de buscar a Deus, e acho que há muito tempo não buscávamos tanto a Jesus como agora”, disse ele.

O padre pede para que nesse e nos próximos dias as pessoas não se esqueçam de colocar em suas orações aqueles que não podem ficar em casa e, principalmente, os profissionais da saúde. “Nesse dia celebramos a maior prova de amor que a humanidade já viu. Na Sexta-feira Santa Jesus se entregou na cruz por amor a cada um de nós para ressuscitar e estar presente. Jesus está na casa de cada um de nós. É momento de nos entregarmos a oração principalmente para os médicos, enfermeiros, profissionais da saúde de maneira geral. Eles que estão cuidando das pessoas. Eles fazem hoje o que Jesus fez no passado. Eles se doam a pessoas que não conhecem, que não são parentes então eles precisam estar em nossas orações”, aconselha.

Dona Alcídia de Almeida Conceição tem 65 anos, está no grupo de risco e será a primeira vez, desde que se lembra, que não irá a uma missa de Páscoa. Encontramos ela na Sexta-Feira Santa, no carro da filha levando alimentos para a igreja doar aos mais necessitados. Foi a primeira vez que saiu de casa em 20 dias, mas sequer desceu do carro. “Eu estou triste por não poder vir aqui rezar, mas não tenho deixado de fazer isso em casa. Estou triste pelo que tem acontecido no mundo, triste pelas mortes, pelo sofrimento, por não poder ver meus netinhos, mas estou com uma fé que tudo isso vai passar. E vai passar”, disse ela emocionada.

As missas da Igreja Nossa Senhora Aparecida estão sendo transmitidas pelo Facebook da paróquia. O mesmo ocorre com a maioria das igrejas católicas ou de outras denominações religiosas.

 

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