“O que está acontecendo no Brasil é muito triste! A gente não tem condição nenhuma de enfrentar uma pandemia. Vamos pensar nas favelas, por exemplo, em que as pessoas moram muito próximas, então a chance de se contaminar é muito maior e além disso, o acesso aos leitos é muito pequeno”. Assim descreve o brasileiro, professor de alemão e au pair, Arthur Heredia Crespo, que vive atualmente na Alemanha, um dos países que mais chamam atenção no combate ao coronavírus. 

O brasileiro natural de Ribeirão Preto e que já residiu em Araraquara, viajou quando a COVID-19 era considerada apenas um “problema da China” e destacou que nunca imaginou que o mesmo fosse acontecer em países da Europa ou em outros locais, como nos Estados Unidos. “Fiquei com medo de fecharem as fronteiras antes de eu entrar na Alemanha. Por sorte, eles acabaram fechando umas três semanas depois que cheguei aqui”, contou. 

Situação na Alemanha

Conforme relatou Arthur, as primeiras semanas no país foram tranquilas. As pessoas pessoas sabiam e comentavam sobre o que estava acontecendo na Itália. Ele contou que, assim como a maioria aqui no Brasil, “as pessoas tinham bastante receio de quem já esteve na Itália”. “Nas primeiras três semanas o coronavírus deixou de ser visto como um problema da China e passou a ser visto como um problema da Itália. Até que o cerco apertou e começaram as medidas mais pesadas”, lembra. 

Em um dos dias, uma amiga dele foi para a praça com o filho dele, porém foi avisada e teve que voltar para casa. Vale lembrar que um fato parecido ocorreu em Araraquara e ficou conhecido nas redes sociais como “A Mulher da Praça”, que se recusou a sair da Praça dos Advogados após orientações de guardas municipais e acabou detida. 

Como informou Arthur, na Alemanha, escolas e universidades foram fechadas, assim como também existem por lá os trabalhos essenciais, em que as pessoas podem continuar suas rotinas normalmente. “Muita gente começou a fazer home office”, realçou. Ainda segundo ele, é permitido sair de casa, desde que não ocorram encontros ou aglomerações. “Existe uma multa se você tiver em mais de duas pessoas e não morarem juntas”, recontou. 

“Todo mundo que eu conheço aqui é a favor da quarentena. Conversei com um grupo de alemães recentemente e eles estão bem satisfeitos com as medidas da Merkel (primeira ministra). A popularidade da Merkel cresceu muito. (…) Eu conheço uma pessoa que falou sobre a questão da economia, só que não é a mentalidade dominante daqui”, salientou ele a respeito do pensamento da população local em relação ao período de quarentena. 

Na visão do brasileiro as pessoas não estão preocupadas em perder o emprego até porque são asseguradas por conta do sistema econômico local. Já no Brasil, trabalhadores sentem o medo de perder o serviço e não ter renda para sobreviver. 

Protestos

Assim como no Brasil, na Alemanha também acontecem protestos, mas segundo Arthur, por lá eles são a minoria. “A relevância das pessoas que fazem protestos, têm tão poucas que fazem isso aqui, que não tem dimensão nos jornais. É a grande minoria de pessoas que fazem isso aqui na Alemanha”, declarou. 

Preocupado, o brasileiro comentou que “é muito triste terem pessoas que estão indo para as ruas se manifestarem a favor da abertura do comércio”, visto que o Brasil ainda não atingiu o pico da doença. “Aqui na Alemanha eles estão discutindo reabrir o comércio no começo de maio, só que aqui já atingiu, de certa forma, o ápice, e existe todo um plano para depois disso. Aqui, muito provavelmente, vamos ter quarentenas intermitentes. A gente sabe que vai ficar um tempo aberto o comércio e depois vai voltar para a quarentena”, revelou ele. 

Para ele, o Brasil começou bem, visto que a quarentena começou cedo em comparação a outros países, como Espanha e Itália. No entanto, a saída do período de isolamento está ocorrendo muito cedo. “No Brasil parece que não tem plano nenhum. As pessoas estão querendo reabrir o comércio e acabou. Tem muita falta de informação. Eu vejo que tem muita gente seguindo linha de conspiração”, conclui.

Coronavírus na Alemanha

A Alemanha não viu até agora o sistema de saúde sobrecarregado, o que ajuda no combate ao coronavírus e faz com que os números sejam, de certa forma, surpreendentes. O país já registrou mais de 155 mil casos de coronavírus com aproximadamente 6 mil mortes, tendo uma porcentagem de letalidade bem abaixo de outros países, com menos de 4%. 

Outros locais da Europa, como a Itália, apresentam mais de 190 mil casos confirmados e cerca de 13% de letalidade. Já a Espanha, com mais de 219 mil resultados positivos, apresenta uma taxa de morte com pouco mais de 10%. Desta forma, a Alemanha se mostra um país, atualmente, eficiente no combate ao coronavírus, mesmo sendo a 4º nação com mais casos de COVID-19 no mundo.

 

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