A Polícia Civil da Bahia, com apoio de policiais de Araraquara cumpriram mandados de busca e apreensão na Biogeoenergy, empresa instalada dentro da metalúrgica IESA e também em um apartamento, do diretor da companhia, na Rua Castro Alves (Rua 16) no jardim Morumbi. A ação, chamada de Ragnarok pela polícia baiana, investiga a fraude na venda de respiradores pulmonares para o Consórcio do Nordeste. A comercialização teria sido feita pela empresa Hempcare, instalada em Salvador, na Bahia, que segundo as investigações, recebeu R$ 48 milhões por um conjunto de respiradores que nunca foram entregues.

A polícia investiga se a Biogeoenergy, de Araraquara, teria relação com a empresa baiana já que recentemente anunciou o início da produção de respiradores pulmonares. A empresa local nega.

Além de Araraquara, também forma cumpridos mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Foram 15 ordens de busca, apreensão e prisão. Há pelo menos três detidos.

Segundo o Secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o contrato que a Hempcare afirmou ter com uma empresa chinesa, para a importação dos respiradores, era falsificado. A própria embaixada do país asiático teria confirmado o fato já que a empresa que supostamente venderia os respiradores para a Hempcare na verdade era uma empresa de construção civil.

Em Araraquara foram apreendidos diversos documentos e também um veículo. Na Bahia, a dona da Hempcare, teve os bens bloqueados, assim como mais de 100 contas bancárias ligadas a ela e a empresa. Ela tem afirmado que ao celebrar o contrato com o Consórcio do Nordeste percebeu que os equipamentos oferecidos pela fabricante chinesa não tinham as especificações corretas e então passou a oferecer os respiradores que seriam produzidos no Brasil, provavelmente pela Biogeoenergy. O Consórcio tinha comprado 300 e ela ofereceria 400.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que esses aparelhos não poderiam ser oferecidos já que ainda não estão homologados pela Anvisa.

O Consórcio Nordeste, liderado pelo governador da Bahia Rui Costa instaurou processo administrativo para apurar irregularidades praticadas pela Hempcare.

O que diz a Biogeoenergy
A Biogeoenergy se manifestou por meio de nota e afirma que está colaborando com as investigações e nega irregularidades. Veja o posicionamento na íntegra.
“A Biogeoenergy informa que foram feitas buscas e apreensões por policiais civis da Bahia, com apoio de policiais locais na sua sede, em Araraquara, interior de São Paulo. Ainda não há detalhes do inquérito e pouco podemos avançar em relação a ação desencadeada hoje.
A empresa deixa claro que não há respiradores prontos para comercialização porque a certificação da Anvisa não saiu. Nosso equipamento passou em todos os testes que garantiram a qualidade do respirador e aguarda trâmites burocráticos do órgão federal. É importante deixar claro que como não há equipamentos, também não há contrato de venda assinado com governos, empresas ou prefeituras.
A Biogeoenergy reafirma seu compromisso em ajudar o país a enfrentar esse momento crítico e colabora com as autoridades policiais para esclarecer qualquer dúvida que venha a surgir.
Também é fundamental esclarecer que nenhuma empresa ou representante comercial pode oferecer, vender ou firmar contrato com governo, estados ou prefeituras uma vez que a Biogeoenergy não tem intermediadores nas negociações relativas ao respirador pulmonar que será fabricado nas unidades de Araraquara e Camaçari, na Bahia. As vendas serão feitas de forma direta para manter o compromisso de comercializar pelo menor preço possível. Ninguém está autorizado a falar em nome da empresa para prometer nossos produtos”.

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