Por Willian Oliveira

Prestaram depoimento na quarta-feira (08) à Justiça Federal, em Brasília, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e a ex-deputada Manuela D’Ávila, no caso do hacker de Araraquara, acusado de invadir celulares de autoridades. Walter Delgatti Neto, foi preso no ano passado durante a Operação Spoofing.

Moro foi uma das vítimas da ação do suspeito já que teve um aplicativo de mensagens invadido e parte de suas conversas pessoais vazou. A partir de mensagens atribuídas a ele, opositores acusam o ex-ministro de interferir nas ações da Polícia Federal e até mesmo nos trabalhos do Ministério Público Federal, durante as investigações e ações da Operação Lava Jato enquanto ainda atuava como juiz.

Ao falar das acusações, ex-ministro negou que tenha influenciado nas investigações da Polícia Federal.

“Eu não tinha acesso ao inquérito. Era só um acompanhamento do andamento do trabalho. Além da posição de vítima, tinha essa situação envolvendo segurança nacional”, explicou.

No depoimento prestado ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, Moro disse que foi vítima de um crime. “Fui atacado na condição de ministro da Justiça e Segurança Pública, seja para capturar mensagens do meu período de juiz federal ou na atuação de ministro da Justiça. Na condição de ministro da Justiça, atacado por hackers que provavelmente buscavam informações confidenciais, eu fiz a representação”.

Segundo Sérgio Moro o aparelho invadido era usado por ele apenas para fazer comunicações do governo.

“Mesmo na época que eu era juiz, eu usava também esse celular para me comunicar. Claro que comunicações que precisavam ser formalizadas eu fazia no papel. Mas usava esse celular para assuntos de governo e ministério”, afirmou.

Segundo Moro, as atualizações eram “geralmente” informadas pelo então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

Manuela D´Ávila

Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) foi ouvida porque Walter Delgatti Neto, acusado de invadir os celulares ligou para ela com o objetivo de compartilhar as informações que havia conseguido com as invasões. A ex-deputada informou que apenas orientou ele a conversar com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, que posteriormente coletou as informações e publicou uma série de reportagens a respeito do caso no escândalo que ficou conhecido como Vaza Jato.

Segundo ela, o hacker não queria dinheiro.”A pessoa que fez contato comigo escreveu literalmente que não queria dinheiro. A motivação, expressa por escrito, era de salvar o país, de mostrar crimes cometidos”, explicou.

O depoimento dos dois foi solicitado por Ariovaldo Moreira, advogado de defesa de Walter Delgatti Neto, Gustavo Souza, e Suelen Priscilla de Oliveira, três dos acusados de terem participação no crime.

Operação Spoofing

A Operação Spoofing foi desencadeada em junho do ano passado e sua primeira fase culminou na prisão de Walter Delgatti Neto, Gustavo Souza, Danilo Marques e Suelen Priscilla de Oliveira. Eles são acusados de invadirem os celulares do presidente Jair Bolsonaro (não há mensagens vazadas), o ex-ministro Sergio Moro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), procuradores da Operação Lava Jato, juízes e até mesmo um promotor de Justiça, de Araraquara.

Em setembro, em uma segunda fase a Polícia Federal prendeu mais dois suspeitos: Thiago Eliezer Martins dos Santos e Luiz Molição. Todos estão soltos, com exceção de Walter Delgatti.

O indiciamento dos seis acusados saiu em dezembro. Eles vão responder por organização criminosa e interceptação de comunicação. Em janeiro uma surpresa no caso, o Ministério Público denunciou sete pessoas pela invasão dos celulares, incluindo também o jornalista Glenn Greenwald. Segundo o MPF, Greenwald teria auxiliado principalmente Walter Delgatti a coletar informações que fossem valiosas para o jornalista transformar em reportagens. No mês seguinte, no entanto, o juiz Ricardo Leite, respondendo pela 10ª Vara Federal em Brasília, aceitou a denúncia apenas contra os seis investigados inicialmente. Glenn Greenwald é agora apenas testemunha do caso.

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