Popularmente conhecida como “Gastrite Nervosa”, a Dispepsia Funcional, responsável por incômodos relacionados ao estômago, tem sido motivo de aumento na procura por consultórios e hospitais durante a pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a gastroenterologista Dra. Amanda Morêto Longo houve um aumento da procura por atendimento nos últimos meses, em seu consultório em Araraquara (SP), de pacientes com queixas gástricas.

“Por conta de toda a situação que estamos vivendo, relacionada a Pandemia, os casos no consultório realmente estão aumentando. Isso provavelmente está acontecendo porque a doença está diretamente associada aos fatores psicossociais do paciente. Então um paciente mais ansioso passa por estresse e já sente o estômago doer, como resposta”, disse.

Outro motivo que tem contribuído para o aumento dos atendimentos é o medo. Segundo a gastroenterologista, a pandemia do novo coronavírus despertou nas pessoas uma atenção maior em relação aos sintomas antes ignorados e, também, às doenças.

“O paciente chega com muito medo. Ele (o paciente) começa a sentir dores no estômago, sabe que, na grande maioria, isso não é sintoma do novo coronavírus, mas tem receio que seja algo mais grave, como um câncer, por exemplo, então procura atendimento”, explicou.

Sem inflamação

A Dispepsia Funcional, termo médico mais conhecido como “Gastrite Nervosa”, na verdade, não é causada por uma inflamação no estômago. Por isso, ela não é cientificamente considerada uma gastrite.

Segundo a doutora Amanda, o paciente com os sintomas que não tem lesões estruturais no estômago – avaliadas por meio de endoscopia – não tem de fato gastrite, mas uma alteração do “eixo cérebro-intestino”.

“Aquele paciente que já tem um quadro de ansiedade e passa por um período mais conturbado, sente instantaneamente o reflexo no estômago ou no intestino. Daí vem o ditado que o intestino é o segundo cérebro do corpo. Então quando a saúde mental não está legal, todo sistema gastrointestinal pode sofrer com isso, seja com dor no estômago, diarreia ou dor abdominal”, explicou.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da Dispepsia Funcional são as dores no estômago, a queimação, a sensação de saciedade precoce, ou seja, o paciente se sente mais saciado com menos comida do que o habitual, ou sente-se ‘cheio’, empachado. Além disso, em alguns casos, os pacientes sentem náuseas e distensão abdominal.

De acordo com a gastroenterologista, os pacientes devem se atentar a alguns sinais, chamado de alarme, que devem motivar a procura do atendimento com mais urgência nas seguintes situações:

  • Pacientes com 40 anos ou mais, com queixas relacionadas ao estômago, devido ao aumento do risco de câncer gástrico com o passar da idade;
  • Pacientes com anemia, sobretudo com deficiência de ferro, que indica perda de sangue;
  • Quando há dificuldade em engolir, seja por engagos ou sensação de “entalo” no peito;
  • Dor ao engolir;
  • Vômitos com sangue;
  • Perda de peso involuntária;
  • Histórico familiar de câncer gástrico.

Dra. Amanda lembra ainda que raramente a gastrite pode ocasionar morte, mas é importante procurar tratamento para que o incômodo seja aliviado e devidamente investigado.

“Às vezes o paciente não dá valor ao sintoma que tem, e por ausência do conhecimento específico, acha que aquilo não é grave. Então sempre que o paciente sentir algum sintoma novo, ou já tinha sintomas e passou a incomodar com mais frequência/intensidade, é importante que procure uma avaliação médica, um especialista”, disse.

Quem é Dra. Amanda Morêto Longo?

Formada em 2012 pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), Dra. Amanda Morêto Longo fez residência de Clínica Médica pelo Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e, na sequência, de Gastroenterologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP-SP.

Possui fellowship na Unidade de Gastroenterologia do Hospital Clinic de Barcelona, na Espanha. É especialista titulada pela Federação Brasileira de Gastroenterologia e também é doutoranda em Hepatologia pela Faculdade de Medicina da USP.

Atualmente, faz parte do corpo clínico da GastroVita Araraquara, é médica assistente do Hospital Estadual de Américo Brasiliense e professora da disciplina e do internato de Gastroenterologia, do curso de medicina, da Universidade de Araraquara (Uniara).

Foto em destaque: Artur Moês – Coordcom/UFRJ

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