Por Guilherme Henrique Moro

Com mais de 40 anos de carreira e muita história pra contar, a dupla Galvão & Galatti mantém a essência da música sertaneja do Brasil. Nascidos em Boa Esperança do Sul – SP, os cantores são amigos desde a adolescência e acumulam músicas que marcam a vida das pessoas.

O Início

O início da vida artística começou quando os dois cantores se conheceram e Galatti brincou ao contar que Galvão tinha uma cara fechada. “Eu sempre gostei de música. Meus tios e meus pais cantavam no fundo do quintal de casa. O Galvão fazia dupla com Carlinhos Rios (Compositor) e eu era muito distante deles. Mesmo tocando algumas vezes com os dois, em bares da cidade, eu não tinha esse acesso e liberdade com eles, até porquê o Galvão era muito cara fechada (risos). O Carlinhos se mudou para Dourado – SP por conta do trabalho no D.E.R e o Galvão ficou sem a dupla. O próprio Carlinhos me apresentou para o mesmo e nesse dia já começamos a cantar”.

Cidinho & Nadirzinho

Nos primórdios, Galvão & Galatti se chamavam Cidinho & Nadirzinho e faziam apresentações locais: “A dupla nasceu naquela época através de barzinhos e festivais”, relatou o segunda voz Galvão.

O festival mais marcante para a dupla foi o “Festival Sertanejo” realizado pela extinta TV Morada do Sol: “De 1981 para 1982, nós participamos desse festival que reuniu mais de 500 duplas. Nós acabamos ficando em terceiro lugar e até hoje temos o troféu que guardamos com muito carinho. Só de falar o nome ‘Nadirzinho’ chego a me emocionar”. A dupla criou um laço de amizade muito forte e começou a cantar em igrejas, realizando missas sertanejas.

A Grande Oportunidade

Na década de 70, a dupla realizou uma apresentação em Rio Claro – SP, onde conheceram um homem chamado Mirão, que os convidou para fazer um teste na gravadora RCA Victor (atual Sony Music): “Nós fizemos esse show em Rio Claro e acabamos sendo convidados a fazer o teste na RCA Victor e passamos. Nós nunca vivemos disso e não sabíamos como funcionava e nem conhecíamos ninguém do meio, então achamos melhor não fazer isso (assinar com a gravadora). Nós cantávamos num dia para comer no outro e tínhamos medo de levar calote de alguém”.

Anos de Pausa

Galvão sofreu uma disritmia cerebral e foi a obrigado a tomar remédios, por conta disso a dupla ficou 12 anos inativa. Nesse tempo eles cantavam vez ou outra em ranchos, mas nunca como uma apresentação oficial. Galvão & Galatti decidiram retornar aos palcos quando o músico Edmilson Budin convidou Galatti para fazer algumas apresentações solo em Bocaina-SP, fato esse que deixou Galvão um pouco bravo na época, pois ele já queria voltar a fazer apresentações.

Hoje o acontecimento vira motivo de brincadeira entre os dois: “Ele me abandonou (risos)”, brinca Galvão. Desde então a dupla nunca mais parou.

O Primeiro Álbum

O álbum “Trem Bom Demais” foi o primeiro lançado na carreira da dupla e como Galvão mesmo descreve, foi um momento muito emocionante: “Poxa rapaz, esse trabalho foi como um primeiro filho pra gente, com ele a gente sentiu emoções que nunca antes tinha sentido. A gente já estava em uma volta depois de bastante tempo sem cantar, então conseguir gravar um CD era quase um milagre. Foi a realização de um sonho. São 13 músicas nesse trabalho e eu gosto de todas elas”.

Galatti ainda contou um fato marcante em meio a todo o processo de gravação e lançamento do disco: “Uma das coisas mais marcantes, foi ter a oportunidade e a felicidade de gravar a música Boate Azul, que é uma música que todo mundo conhece e canta, da maneira que o saudoso compositor Benedito Seviero gostaria que fosse gravada. Outra coisa que me emociona muito é poder ter gravado a música “Homenagem a Minha Terra”, que é uma letra de Carlinhos Rios e faz uma homenagem a nossa cidade, Boa Esperança do Sul – SP”.

Criteriosos nas composições

A dupla tem três álbuns lançados e todos eles repletos de boas canções do inicio ao fim, algo que é muito difícil, pois, na maioria dos álbuns, muitas canções estão ali apenas para “cumprir tabela”. Galvão conta um pouco de como é feita essa escolha de repertório: “Quando nós vamos organizar para fazer um novo trabalho se vão semanas de discussão até definir o repertório. Nesse último trabalho a gente tomou o dobro de cuidado pois os dois primeiros (discos) eram muito bons e nós não podíamos retroceder, então nós formamos as ideias, ‘passamos a peneira’ e o que fica de melhor nós levamos para o disco”.

Metade da Minha Vida

“Metade da Minha Vida” é o nome de uma música escrita por Miguel Costa e Galvão e dá título ao segundo álbum da dupla, lançado em 2009. Sem sombra de duvidas é a música mais importante da carreira da dupla pelo fato de ser executada em rádios do Brasil inteiro e por levar o nome de Galvão & Galatti por onde passa. Galvão falou um pouco de como essa canção nasceu, já que ele é um dos compositores: “O Miguel Costa me ligou e me pediu pra ir até a casa dele para me mostrar um trabalho novo que ele havia feito. Eu fui até lá, ele me mostrou a letra e logo de cara eu gostei muito. Eu levei a letra pra casa e comecei a trabalhar na música, liguei pra ele mudar alguns pequenos trechos da letra onde não estava cabendo a melodia, que ele aprovou logo de cara também.”

Show Mais Marcante

Entre inúmeros shows em mais de 40 anos de carreira, a dupla recorda com carinho de uma apresentação realizada em Minas Gerais. Fato curioso, já que a maioria dos shows que a dupla fez e ainda faz são no estado de São Paulo. Galatti relata: “O show mais importante da história, pra nós, foi em Conceição Das Alagoas – MG. Nós fomos fazer o show e estava um calor de mais de 40 graus. Uma senhorinha ficou segurando um guarda-chuva pra gente não tomar tanto sol. Era um dia 12 de outubro e nesse show havia 4.000 pessoas. O pessoal que morava lá contou que só quando o presidente Juscelino Kubitschek foi até a cidade que se juntou tanta gente por lá. Imagina só? Galvão & Galatti, só com dois violões, causarem tanto alvoroço quanto um presidente”. A dupla agradece ao Padre Fontana, que foi um dos responsáveis por levar a dupla até o show.

Luz do Amanhecer

“A mesma luz que se apagou com seu adeus refaz o brilho ocupando o seu espaço / até a madrugada fria se aqueceu no calor do teu abraço”.

Luz do Amanhecer é uma canção com letra de Carlinhos Rios e dá nome ao terceiro e mais recente trabalho da dupla. O álbum foi lançado em um show realizado no tradicional Melusa Clube, na cidade de Araraquara-SP, com uma banda completa e repleto de participações especiais.

Galvão conta detalhes da fase complicada em que a dupla estava antes do lançamento desse álbum: “A dupla estava em uma fase onde nós estávamos cansados e o Galatti sempre me dizia que a gente precisava deixar pelo menos mais um trabalho para os nossos ouvintes. Foi aí que entrou o Dr. Roberto De La Coleta, que nos ajudou muito financeiramente, porque vontade nós tínhamos e se a gente pudesse nós gravamos dois discos por ano. A partir daí nos começamos a correr atrás de repertório, fomos atrás de outros compositores além dos que a gente sempre trabalhava e surgiu a oportunidade de gravar duas músicas do Waldemar Reis, que é um compositor respeitadíssimo”.

Agradecimentos

A dupla conclui agradecendo à todos os apoiadores e fãs que ao longo desses mais de 40 anos vão fazendo a história de Galvão & Galatti:

“Jose Roberto Fernandes, Carlinhos Rios, Miguel Costa, Claudinei Moro, Luiza Moro, Fã Clube Luz do Amanhecer, José Camilo, Jacó Pereira, Matheus Carreiro, Daiane Luciano, Laroca, Gaúcho, amigos de Brotas, amigos de Bocaina, Cássio, Pepe Campeão, Wanderlei, Nenê Dias, Peta, Roberto De La Torre, à todos os nossos amigos que tanto nos apoiam.

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