Por Rian Fernandes

Um grupo de mães e pais lançou um manifesto contra a volta às aulas presenciais em Araraquara, visto que com uma estabilização de casos do coronavírus, começou a se discutir sobre uma possível retomada da educação, junto da flexibilização das atividades econômicas. Na cidade, no último dia 27 de julho, um comitê municipal foi criado para discutir o assunto, porém o conjunto, com mais de 5 mil pessoas participantes na internet, é contra o retorno.

“Repudiamos, em absoluto, qualquer movimento neste sentido, sem a segurança de uma vacina que possa imunizar e proteger nossos filhos dos riscos à saúde, advindos da vulnerabilidade por infecção do vírus COVID-19”, diz o manifesto do grupo “Não à Volta às aulas em Araraquara 2020” ao prefeito de Araraquara (Edinho Silva), a secretária de Educação de Araraquara (Clélia Mara) e à população. 

Ainda de acordo com o manifesto, faltam recursos para o possível retorno. “As escolas permanecem com as mesmas condições estruturais anteriores, muitas vezes com falta de insumos básicos de higiene pessoal e coletiva e falta de funcionários e profissionais da educação”, ressalta. 

Além de esclarecer sobre a posição contrária ao retorno das aulas, o grupo também faz questionamentos. “Se já tínhamos uma realidade em que funcionários da educação não eram suficientes antes da pandemia e, portanto, serão insuficientes agora; bem como já sabendo dos protocolos desenvolvidos por setores governamentais para o transporte coletivo ocorrer com segurança, mas que permanecem lotados, mesmo com escolas fechadas, como considerar que haverá contratações de profissionais e preparação estrutural suficientes, que não exponham ao risco nossas crianças?”. 

Para o grupo, o principal objetivo é a segurança dos filhos e não submeterem os alunos ao retorno. “São nossos filhos, e ao menor risco devemos e queremos defendê-los de quem quer que seja e da melhor maneira possível. Hoje, a forma mais contundente é dizendo não ao retorno às aulas presenciais sem vacina, e não vamos abrir mão disso”, destaca o grupo. 

Sobre o manifesto, a Secretaria da Educação de Araraquara já diz ter se posicionado alegando que o “retorno às aulas não tem data, mas debate sobre os cuidados e medidas de segurança precisa começar agora”. Veja a nota na íntegra: 

O Comitê de Contingência do Coronavírus de Araraquara decidiu na última segunda-feira (27), em reunião diária realizada para deliberar sobre as ações de combate à doença, criar a “Comissão Intersetorial de Discussão e Apresentação de Medidas e Protocolos de Proteção contra a Covid-19 no Ambiente Escolar”.

O objetivo da comissão será coletar informações, discutir e produzir diagnóstico que subsidie a apresentação de diretrizes, medidas e protocolos necessários a serem implementados, no âmbito da Rede Municipal de Educação, de modo a garantir a uma volta segura às aulas no momento em que as autoridades sanitárias disserem que isso é possível.

“Em março deste ano, as redes de ensino não tiveram alternativa se não parar intempestivamente, sem tempo de planejamento prévio, somente com a certeza de que todos, absolutamente todos, deveriam ficar em casa. Agora é nosso dever preparar a volta de modo planejado, consistente e sustentável e dar respostas para os problemas e desafios que hoje temos, além de diagnosticar e apontar soluções para aqueles que, possivelmente, teremos quando da volta às aulas. Por isso, a decisão do Comitê de Contingenciamento do Coronavírus, em torno da criação da Comissão Intersetorial, avalia como importante, pois nos auxiliará a preparar esse porvir, com segurança e respeito a vida dos alunos, dos profissionais da educação de toda a coletividade. E essa Comissão terá ampla representatividade. Importante reiterar que não há nenhuma, absolutamente nenhuma, discussão neste momento de retorno à escola ou estabelecimento de dia ou mês para isso e os protocolos de segurança, assim como o calendário de retorno às aulas, serão debatidos e estabelecidos em diálogo com as entidades e setores pertinentes e de acordo com a indicação das autoridades de saúde”, explica Clélia Mara dos Santos, secretária municipal da Educação.

De acordo com o Comitê, a Comissão Intersetorial terá representantes de diferentes áreas da gestão municipal e dos diferentes setores representativos da educação, incluindo, a secretária Clélia Mara dos Santos; a secretária municipal de Saúde, Eliana Honain; a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Jacqueline Barbosa; a secretária municipal de Gestão e Finanças, Juliana Agatte; a secretária municipal de Justiça e Cidadania; Mariamália de Vasconcellos Augusto, além de representante do Conselho Municipal da Educação, do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar); dos ocupantes do emprego público de Diretor de Escola; dos Professores da rede municipal; de Agentes Educacionais em atuação na educação infantil municipal; de pais e de alunos matriculados na rede pública municipal de educação, da Diretoria Regional de Ensino e representante das escolas da rede privada municipal de educação infantil.

 

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