Por Willian Oliveira

“Falta acertar esse pequeno detalhe com o Valdemar (da Costa Neto)”. A frase dita por Bolsonaro na semana passada fazia referência a situação do PL em São Paulo. O presidente, que chegou a anunciar sua filiação na legenda, recuou neste domingo (14) e o partido informou em um comunicado que o ato que marcaria a chegada do seu mais ilustre membro foi adiado por prazo incerto e não sabido.

A filiação de Bolsonaro enfrenta resistência da ambos os lados e por muitos fatores. Algumas lideranças regionais tinham planos bem definidos, que não incluíam apoiar o presidente, ainda mais com sua rejeição aumentando dia a dia, tanto quanto a inflação no país.

Um dos grandes imbróglios a vencer está em São Paulo. Bolsonaro quer de todo jeito que a direção estadual da legenda esteja sob o controle de seu filho Eduardo. Claro que isso mudaria toda a estratégia que vinha sendo desenhada pelo PL há muito tempo.

Apoio ao PSDB

O PL em São Paulo quer dar sustentação para a candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que deixou o DEM para pousar no ninho tucano justamente para assumir o comando do Palácio dos Bandeirantes, hoje função de João Doria.

Não é preciso entender muito de política para perceber que é quase impossível hoje um acordo entre Bolsonaro, seu filho Zero Um em uma chapa liderada por Rodrigo Garcia, com João Doria dando as cartas. O “BolsoDoria” tem quase nenhuma chance de voltar.

Bolsonaro não quer se comprometer com muitos candidatos a governador. A ideia da neutralidade nos estados, que funcionou na eleição passada é para conseguir arrebanhar eleitores de todos os lados. Em São Paulo, no entanto, o presidente quer Tarcício Gomes de Freitas, o ministro da Infraestrutura na disputa. Duro vai ser convencer os 7 deputados do PL a entrar nessa disputa defendendo um candidato quase desconhecido e deixar uma eleição, ao lado de Rodrigo Garcia, que parece ganha aos olhos de muitos analistas.

Para selar a união entre o  PL e Bolsonaro, o presidente garantiu que Tarcísio ficaria em Goiás, para disputar o Senado.

Sem Alckmin

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) lidera as pesquisas para comandar novamente o maior estado brasileiro, mas o namoro entre ele e o ex-presidente Lula está esquentando, Alckmin foi convidado pelo petista para ser candidato a vice em sua chapa.

Sem Alckmin a candidatura de Rodrigo Garcia deve se consolidar ainda mais. E aí, quem convence o PL de São Paulo a abandonar esse barco que parece cada vez mais soberano nesse oceano de possibilidades?

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

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