Por Willian Oliveira

Os lançamentos das pré-candidaturas de Sérgio Moro, recém filiado ao Podemos e Deltan Dallagnol, que anunciou sua saída do Ministério Público Federal, possivelmente para disputar as eleições no ano que vem, têm deixado os políticos, em especial do Centrão de cabelo em pé.

A preocupação é que o discurso contra a corrupção, que já colou na campanha de Jair Bolsonaro, cresça entre o eleitorado nos próximos meses alavancando a chamada 3ª via e até mesmo enfraquecendo as candidaturas ao legislativo da base que hoje sustenta o governo.

O presidente da Câmara Arthur Lira (PP) é um dos caciques que não esconde sua inquietação. Nesta terça-feira (16) em Lisboa ele voltou a falar da chamada PEC da Vingança, que previa mudanças no Conselho Nacional do Ministério Público para aumentar o poder político dentro da instituição. O texto já foi reprovado pela Câmara em outubro em uma clara derrota do

Segundo Lira, a queda de braços ainda não acabou e segue firme nos bastidores do legislativo. “É uma discussão que se dará com os líderes da Câmara. Eu já conversei com os líderes. Esse é um tema que não está resolvido”, afirmou em entrevista concedida em Portugal.

Se aprovada, a PEC da Vingança permitira que o CNMP pudesse reverter decisões tomadas por procuradores e promotores. A peça é considerada uma aberração por membros do Ministério Público e foi publicamente combatida tanto por Moro, quanto por Dallagnol.

Sem citar os nomes, Lira foi direto ao criticar os dois por suas posturas durante a Operação Lava Jato. “Muitas candidaturas que estão postas aí como salvadores e heróis da pátria, de quem cometeu tantos abusos. Não falo da operação em si, a operação produziu efeitos claros de combate à corrupção, mas cometeu também muitos abusos. Os excessos tem que ser punidos. O CNMP não cumpre seu papel.”

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